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terça-feira, 1 de julho de 2008

O encontro do tradicional com a modernidade na música: Cordel do Fogo Encantado


Muitos de vocês já devem ter ouvido falar neste grupo musical. Trata-se do Cordel do Fogo Encantado, conjunto musical oriundo da cidade de Arcoverde, Pernambuco. O Cordel começou como um grupo teatral em 1997, que apresentava um espetáculo que reunia música e poesia.Fundada por Lirinha, Clayton Barros e Emerson Calado, todos ligados ao teatro, o Cordel recebeu posteriormente mais dois componentes: : os percussionistas Nego Henrique e Rafa Almeida, e a partir daí, iniciaram sua trajetória musical que atingiu o auge nos últimos anos.
Na suas letras, o Cordel leva para a música a poesia e a magia da literatura de cordel e do cancioneiro popular. Na sua música, os ritmos tradicionais do sertão nordestino, influenciados pela música africana e até pelo rock e pelo rap, o que confere ao Cordel um quê de modernidade.
O Cordel do Fogo Encantado, portanto, traz, em um só espetáculo, vários elementos culturais: o teatro, a dança, a literatura, a poesia, a religiosidade, a cultura popular e a música, seja ela tradicional ou contemporânea.
Fica até difícil classificar o Cordel do Fogo Encantado nos rótulos musicais que conhecemos, já que eles formaram uma identidade própria. Claro que o Cordel parte de elementos pré-existentes, mas que unidos, dão corpo e alma às canções de Lirinha e seus companheiros.
E para quem ainda não conhece o Cordel, trago uma pequena amostra do trabalho do conjunto.
O nome da canção a seguir é "Palhaço do circo sem futuro".

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Literatura de Cordel.

"Sou um poeta do mato/ vivo afastado dos meios/ minha rude lira canta/casos bonitos e feios/ eu canto meus sentimentos/ e os sentimentos alheios"(Patativa do Assaré)

Trazida para cá pelos portugueses, a literatura de cordel se consolidou no Nordeste brasileiro, adquirindo características peculiares. Há indícios que remetem a origem do cordel à Portugal e Espanha, mas, ainda na Antigüidade, gregos, romanos e fenícios desenvolviam narrativas que tinham aspectos semelhantes as produzidas na Península Ibérica. Existe também a hipótese do cordel ter sido cultivado a partir do Trovadorismo da região de Provença, sul da França. Portanto, como manifestação popular, a literatura de cordel tem origem incerta, ou pelo menos controvertida, sendo uma espécie de compilação de características agregadas no decorrer do tempo, sem data, nem local definidos. Já o nome cordel, que nos foi legado de Portugal, está relacionado à forma com que os folhetos eram postos para venda: pendurados em cordões, lá chamados de cordéis.
Cordel é uma narrativa poética, cuja temática se apresenta, por demais, diversificada. A religiosidade do sertanejo, levando à mitificação de figuras como padre Cícero, o cangaço, registrando as proezas de Lampião, o adultério, permeando com marcas humorísticas os causos contados e o êxodo rural motivado pela seca são temáticas recorrentes, expressadas de maneira genuinamente nordestina, obedecendo às tradições orais do sertanejo, isto é, a espontaneidade da fala matuta.
A versatilidade do cordel é comprovada quando analisamos suas diversas finalidades Além de retratar a realidade do sertanejo, que sofre, que reza, que foge da seca, é também utilizado como recurso publicitário. Fruto de encomenda em prol do setor comercial, muitas vezes, o cordel é produzido para vincular informações sobre produtos, shoppings, supermercados e até mesmo políticos. Dessa forma, é bem verdade que o cordel perde o viço peculiar do ritual poético, para edificar figuras ideais que possam promover o consumo, conseqüentemente, o lucro.
A literatura de cordel é feita para ser cantada, ou seja, o apelo sonoro dos versos faz com que o texto só seja por completo explorado quando lido em voz alta. A rima do cordel advém da oralidade em que o cordelista constrói a narrativa. Portanto, os versos do cordel são feitos para os ouvidos, não para os olhos, daí a necessidade de se recitar.
Se os versos aguçam a audição, a xilogravura da capa oferece à visão o apuro dos cortes feitos na madeira. Produzida artesanalmente, a xilogravura apresenta-se ao leitor como uma ilustração que antecipa o conteúdo do texto, anunciando a temática a ser narrada.Veja:

A literatura de cordel exprime, de maneira singular, a rica cultura de um povo que, apesar de sofrido, tem fé e coragem para resistir ao flagelo do semi-árido nordestino. É dessa terra, longe de ser garrida, que brota a inspiração, a verdadeira Inspiração Nordestina de Patativa do Assaré, e a influência para vários poetas e prosadores como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Guimarães Rosa.

Heitor Nogueira.

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